POESIA

Sylvia Plath

ESPELHO

Sou de prata e exacto. Não faço pré-julgamentos.
O que vejo engulo de imediato
Tal como é, sem me embaçar de amor ou desgosto.
Não sou cruel, simplesmente verídico —
O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.
Reflicto todo o tempo sobre a parede em frente.
É rosa, manchada. Fitei-a tanto
Que a sinto parte do meu coração. Mas cede.
Faces e escuridão insistem em separar-nos.


Agora eu sou um lago. Uma mulher se encosta a mim,
Buscando na minha posse o que realmente é.
Mas logo se volta para aqueles farsantes, o brilho e a lua.
Vejo as suas costas e reflicto-as na íntegra.
Ela paga-me em choro e em agitação de mãos.
Eu sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã a sua face alterna com a escuridão.
Em mim se afogou uma menina, e em mim uma velha
Salta sobre ela dia após dia como um peixe horrível.


Sylvia Plath, poeta americana (1932-1963)



Voltar  

Confira também nesta seção:
10.05.21 19h30 » Miguel Jubé
03.05.21 19h00 » Poesias sobre "mãe"
26.04.21 17h14 » José Villa
19.04.21 15h58 » Natasha Tinet
13.04.21 21h06 » Mascha Kaléko
05.04.21 18h47 » Amanda Berenguer
29.03.21 16h14 » Roseana Murray
22.03.21 18h00 » Elke Erb
15.03.21 17h28 » Michel Houellebecq
08.03.21 17h24 » Adalberto Müller
01.03.21 16h27 » Leandro Rabelo Batista
22.02.21 14h00 » Fiama Hasse País Brandão
15.02.21 16h47 » Daniel Osiecki
08.02.21 16h00 » Mauro Iasi
01.02.21 18h00 » Mardson Soares
25.01.21 18h46 » Hilda Machado
18.01.21 16h57 » Yin Lichuan
11.01.21 21h00 » Djalma Passos
04.01.21 22h00 » Manoel Mourivaldo Santiago-Almeida
28.12.20 21h37 » Três poemas evocando a passagem de ano

Agenda Cultural

Veja Mais

Últimas Notícias

Mais Notícias

Newsletter

Preencha o formulário abaixo para receber nossa newsletter:

  • Nome:

  • Email:


  • assinar

  • cancelar


Copyright © 2012 Tyrannus Melancholicus - Todos os direitos reservadosTrinix Internet