LANÇAMENTO

"Redeiras – Tecendo Cultura com Arte e Tradição"



tati mendes

redeiras

 

A beleza e o colorido das redes cuiabanas, feitas de forma totalmente artesanal em tear vertical despertou o apreço e a curiosidade da cineasta Tati Mendes, uma aficionada por bordados. Mas foi para homenagear uma família – a família Lemes, onde cinco mulheres, que há mais de 50 anos se dedicam a esta especial forma de artesanato que Tati se debruçou para criar o projeto "Redeiras – Tecendo Cultura com Arte e Tradição", contemplado na Lei Aldir Blanc – Conexão Mestres da Cultura – Secel MT.

Tati Mendes é produtora que virou realizadora e conta um pouco como se deu essa sua migração no audiovisual.

“Há duas décadas trabalhando atrás das câmeras, porém com um mestre talentoso, ágil e generoso como Amauri Tangará, não foi difícil numa determinada hora, ter a vontade de dirigir. Adoro imaginar as cenas e trabalhá-las de diversos ângulos, mas sou do simples e acho que o melhor do filme precisa ser o conteúdo", diz ela.

Ela recorda que quando produziu a série "O Pantanal e Outros Bichos", decidiu, com Amauri, reunir formas de artes manuais únicas, que ainda fossem produzidas nessa região entre Cuiabá e o Pantanal e assim como os móveis típicos de Poconé, pensou nas redes cuiabanas e encomendou logo duas redes iguaizinhas para compor o cenário e acentuar o colorido de uma das fazendas no Pantanal. 

Dessa forma Tati conheceu a redeira Eva Lemes de França e aos poucos fui conhecendo e se apaixonando pela história de sua família. Sua mãe, Francisca Lemes de França - a Dona Chiquinha do Limpo Grande aprendeu a arte do tear com a irmã Laufrinda, porque sua mãe, Dona Maria Lemes de Miranda (avó de Eva) só fiava o algodão, com as mãos ainda, mas não tecia. Das nove mulheres da família Lemes, cinco são redeiras. A mais velha Gonçalina Lemes da Silva, a loira, como as irmãs a chamam, tece redes há 47 anos, depois vem a Dulce Lemes Moreira que tece há 45 anos, depois a Lourdes Lemes de França – 40 anos de redeira, a Edina Lemes de França – 35 anos de redeira e por fim a Eva Lemes de França que aprendeu a tecer redes há 32 anos. Elas contaram que observando atentamente o trabalho da mãe e na tentativa e erro (quando a mãe saía) é que aprenderam a tecer. Começaram fazendo redinhas para as bonecas e mais tarde fizeram disso um ofício e passaram a contribuir com a renda familiar quando vendiam as redes, assim como a maioria das redeiras do Limpo Grande, bairro rural da Várzea Grande.

"É uma arte impressionante não apenas pela beleza, mas pela destreza, pela paciência e pela atenção que toma da artesã copiar os gráficos e transpô-los para o tear e uma tradição que precisa ser vista, ser estimulada, ser mantida, porque é um trabalho de valor simbólico ímpar”, acrescenta Tati.

 Novelar, Urdir, Tecer, Passar o Liço, Lavrar, trançar. Essas são algumas das expressões que também encantaram a cineasta, que relata como as redeiras usam esse vocabulário todo próprio, para realizar cada uma das etapas do trabalho. São expressões que fortalecem a tradição, que se perde na ancestralidade dessas mulheres, está entranhada em suas vidas. Conviver com a beleza dos motivos e a sensibilidade das combinações de cores, num movimento contínuo e repetitivo para ver o resultado parece uma tarefa simples e depois de alguns anos, até corriqueira, mas é no convívio e na partilha de espaços, histórias e gráficos que estas mulheres se desenham, criam filhos, casam, sustentam suas famílias. Como são mulheres simples e de pouco falar, percebe-se que é através de sua arte que falam. São figuras, desenhos, gráficos e linhas produzindo imagens e perpetuando motivos.

tati mendes

redeiras

 



O trabalho nem sempre alcança o contorno de arte, quando a urgência da venda vai ajudar a sustentar a casa, mas nem por isso a beleza do trabalho é menor.

A arte de fabricar redes é atribuída aos índios Guanás (etnia Chané-Guaná), que inicialmente usavam fibras de tucum para sua confecção e segundo historiadores, foram as mulheres dos colonos que passaram a usar o algodão como fibra, desfiando-o e fazendo as linhas com as mãos. Mais tarde, passaram a tingí-los, com tintas naturais e foi certamente pela herança portuguesa que os motivos, desenhos, varandas e franjas foram integrados, criando assim a arte das magníficas redes, que se diferenciam pela urdidura em teares verticais. Tecidas de baixo para cima, sem avesso, numa espécie de estrutura circular onde o resultado da tecedura vai dando à volta e ficando para traz do tear até que o tecido se complete, dois metros depois de urdido e o corpo da rede possa ser removido, quando então receberá os adornos finais das varandas e o trançado dos punhos, que são as pontas das redes que ajudam na tarefa de pendurá-las para o uso.

Os motivos que são lavrados, replicam flores e animais do Pantanal mas a contagem e a distribuição das cores remetem aos pontos usados na técnica do bordado do ponto de cruz, o que confirma a intersecção portuguesa na arte das redes cuiabanas.

O projeto "Redeiras" propôs um filme que para detalhar todo o passo a passo da arte de tecer as redes cuiabanas e que tem estreia marcada para este sábado (19), às 19h, no Sesc Arsenal. Quem não puder assistir o filme na estreia terá uma segunda chance em julho, no dia 15, também no Sesc, no mesmo horário. Depois o filme seguirá para festivays e mostras. Até o final do ano estará compartilhado no youtube.

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Além do filme, no mesmo espaço poderá ser vista a exposição de fotos feitas pela própria Tati Mendes retrata um pouco do universo que circunda essas mulheres. A exposição instalada na entrada do Sesc Arsenal em Cuiabá, seguirá depois para o Limpo Grande (bairro de Várzea Grande), onde o filme também será exibido, na expectativa de fortalecer a autoestima dessas mulheres, de cujas mãos surgem beleza e arte e de estimular para que a tradição não se perca.

Manter a tradição é a ordem dessas mulheres, por capricho ou necessidade, não importa. O que importa é o quanto essa resistência representa para a cultura de um povo, o quanto nos ensina de resiliência, o quanto valoriza sua comunidade, o quanto contribui para o fortalecimento do patrimônio cultural imaterial do Estado de Mato Grosso.

Ter uma rede cuiabana já foi sinal de status, muitas famílias tinham suas redeiras de confiança, para confeccionar os mais belos motivos, que seriam expostos ou presenteados a pessoas ilustres. Hoje, com a rapidez da vida cotidiana a arte de confeccionar a rede cuiabana parece adormecida, talvez por sua complexidade e demora, mas precisa ser resignificada em nossa sociedade, porque é a expressão simbólica de uma cultura, uma arte que transmite o humor, a alegria de um povo que traduz em linhas e cores a sua tradição e isso não pode morrer, afirma Tati Mendes. (*com assessoria)

 

SERVIÇO

O QUE: lançamento do filme "Redeiras – Tecendo Cultura com Arte e Tradição", de Tati Mendes
QUANDO: dia 19 (sábado), às 19h, com nova sessão em 7 de julho
ONDE: Sesc Arsenal
MAIS INFORMAÇÕES:  65 984212645

 


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