"IDENTIDADE BABU"

Um prestigiado artista cuiabano



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O diretor do doc., Leonardo Sant´Ana, e o artista em pauta

Adão Silva Segundo é como foi registrado o principal expoente do grafite cuiabano. Este é o nome que aparece no registro de nascimento e no documento de identidade do artista, mas a assinatura que tomou muros, painéis, galerias e se notabilizou na história da arte mato-grossense foi a de Babu 78. 

O documentário “Identidade Babu”, dirigido por Leonardo Sant’Ana e produzido pela Terra do Sol Filmes, irá apresentar um registro da vida e obra deste cuiabano que se criou e ainda mora no bairro do CPA. As gravações foram concluídas recentemente e agora o curta-metragem vai entrar na etapa de pós-produção. 

Além do próprio Babu, também foram entrevistadas pessoas próximas do artista, como familiares e amigos, bem como estudiosos de sua obra. Entre os depoentes, destacam-se os artistas DJ Spinha, Edson Tattoo e o rapper Linha Dura, além de intelectuais, como os críticos de arte José Serafim Bertoloto e Aline Figueiredo. 

“Ele conseguiu uma coisa que eu admiro muito, que é esse respeito quase unânime dos especialistas e das pessoas que fruem a arte. Ele tem essa admiração de todos os lados”, destaca Leonardo, que há mais de seis anos já planejava gravar este documentário.

Aliás, em meados dos anos 2000, quando o artista urbano começava a se projetar na cena local, o cineasta já acompanhava de perto essa ascensão. "Eu fui testemunha do Babu nas artes visuais. Eu era muito amigo do Silvio Sartori, do Spinha, da galera do hip hop. Eu vi a explosão dele”, relembra.

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Babu com a mão na massa em uma das suas intervenções

Desde então, a obra de Babu rodou o Brasil e ele ganhou uma série de prêmios, inclusive o segundo lugar no Prêmio Pipa 2018, considerado uma das principais janelas para a arte contemporânea brasileira. Hoje seus trabalhos transitam com naturalidade entre galerias, museus e espaços urbanos. 

E ele se mostra empolgado com este registro que o insere também na linguagem audiovisual, e inclusive já adianta sua perspectiva sobre o trabalho. “O documentário não é sobre a chegada, é sobre o percurso. Não importa se chegou bem ou mal, importante é ter chego até aqui”, reflete Babu. 

E onde chegou passa diretamente pela assinatura que deixou por onde passou. “A arte do Babu já o identifica. É da essência do grafiteiro apresentar seu trabalho em ambientes externos, na rua mesmo, isso faz parte da identidade do artista urbano. E ele já está com a assinatura na cidade toda, então dispensa apresentações”, comenta o crítico Serafim Bertoloto.

O projeto foi contemplado em edital da Lei Federal Aldir Blanc em Cuiabá, executado pela Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer e com apoio do Conselho Municipal de Política Cultural.

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Babu 78 durante entrevista para o filme

Sobre o documentário

“Identidade Babu” foi captado e será finalizado em formato 4K UHD (Ultra alta-definição). A equipe, além de ser composta em sua maioria por pessoas negras, é formada exclusivamente por profissionais locais. 

Aliás, a produção executiva é assinada por José Paulo Traven, que, além de produtor e ex-secretário adjunto de cultura do Estado, também já foi marchand de artes visuais.

Por se tratar de uma temática contemporânea e urbana, o diretor aposta em uma linguagem cinematográfica que dialogue com este conteúdo. “Tenho o objetivo de, na montagem, dar uma cara de Ópera Rap para esse documentário, tentar fazer ele um pouco mais solto, um pouco mais livre”, explica Leonardo. 

Em termos práticos, isso quer dizer que o documentário se vale de uma linguagem audiovisual bem dinâmica, com cortes rápidos e uso de oportunos recursos narrativos, como conversas espontâneas entre Babu e outras pessoas e até o registro de uma batida policial enquanto o artista realizava uma intervenção urbana em uma avenida de Cuiabá.

Todavia, embora esta inventiva linguagem cinematográfica seja enriquecedora do ponto de vista narrativo, o documentário também não abre mão de algumas convenções do gênero, como  o uso de acervo de fotos e matérias jornalísticas, além das tradicionais entrevistas com autoridades no assunto, pessoas próximas e com o próprio Babu.

“Por mais que eu vá tentar dar essa pegada artística, eu não quero perder a perspectiva da história do personagem, de contar um pouco da vida dele. Esse vai ser o foco. O objetivo do documentário é tentar mostrar todo esse potencial, todo esse artista fenomenal que é o Babu 78”, conclui Leonardo. (*da assessoria)

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O artista e o crítico de arte Serafim Bertoloto


Ficha técnica:

Roteiro e direção: Leonardo Sant’Ana
Produção Executiva: José Paulo Traven
Direção de Produção: Anna Magalhães 
Produção: Giulia Costa
Direção de Fotografia: Kelven Queiroz


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