VERSO
Agustín García Calvo


Raiva alheia*

 

Nada fora de mim,
com exceção da zanga,
tem um início e um fim
determinado,
com exceção da raiva,
que não é minha, digo logo, assim desde  início,
como dizem em minha cidade,
tão felizes pela manhã
até a noite, muito mais felizes, muito mais,
que não é minha, repito, porque ainda mais adentro
surge a vontade de morrer,
depois da raiva, bem depois, ou não tão depois,
sobressalta pensar que voltará doutra vez
a raiva ou a zanga
de fora, por suposto,
fora de mim, fora de todos, recomeça,
volta e mais volta, fora, recomeçar,
e assim termina tudo.

 

*Poema reproduzido do site http://www.antoniomiranda.com.br/ , com tradução de Antonio Miranda

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agustin

O espanhol Agustín García Calvo (1926 -2012) foi poeta, escritor, filósofo e dramaturgo. Estudou filosofia clássica na Universidade de Salamanca tornando-se professor de latim e filosofia latina e escreveu vários livros, entre eles, a trilogia "Del lenguaje", "De la construcción" (Del lenguaje II) e "Del aparato" (Del lenguaje III). Também é autor de novelas, ensaios e poesias. Por três vezes (1990, 1999 e 2006), ganhou o Prêmio Nacional de Literatura (prêmio espanhol)

 


Fonte: Tyrannus Melancholicus
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