Terça, 21 de setembro de 2021, 17h53
PRIMAVERA LUCIENE
Começa na quinta (23)... e vai que vai

Priscila Mendes*

luciene miolo

luciene

 

"A poesia é plástica. Ela se manifesta, ela se adequa a todas as artes". A perspectiva da poeta Luciene Carvalho transcende a condição poética das artes e entende que a própria poesia se reinventa e deságua em outras expressões artísticas. Na música, nas artes visuais, no teatro.

A obra de Luciene floresceu, aliás, frutificou… Tal qual as estações, depois de um longo outono de renascimento, chega, no próximo dia 23, o início da ‘Primavera Luciene’: o lançamento do CD ‘Centelha’ e a abertura da ‘Exposição Imaginários’, de Victor Queiroz e Luciene Carvalho. Para marcar a 'estação', uma homenagem à Luciene, pelos traços da artista plástica e amiga Emanuelle Calgaro, que juntou a delicadeza das flores com o olhar forte da poeta. Presente que a própria homenageada elegeu como símbolo dos próximos três meses.

Os lançamentos serão às 18h desta quinta-feira (23), no Cine Teatro Cuiabá, com show da Rapper Azul. Em som ambiente, as faixas do CD Centelha, tocando os presentes. Após, a mostra de artes visuais seguirá até o dia 23 de outubro, sempre de terça a domingo, das 8h às 18h, com entrada franca.

Em duas estações - intensificadas pela pandemia e pelo necessário recolhimento -, Luciene Carvalho reviu a própria obra e brotaram ramos e nasceram frutos de forma muito espontânea. “Eu revisitei minha obra”, conta a poeta imortal das Letras, após um infarto em 20 de março - primeiro dia de Outono, quando, nos momentos de reflexão, se deu conta que não poderia se despedir deste mundo sem expressar sua poesia de outras formas.

Primeiramente, decidiu voltar para a oralidade poética, competência que entende como natural a si, já que começou a declamar poesias no ambiente familiar, quando tinha pouco mais de dois anos de idade. Oras, a poesia nasceu para a Luciene, quando ela nasceu para a fala.

De posse de músicas cedidas pelo amigo Ebinho Cardoso e com acesso ao home studio de Pedro Paulo Pereira, o P3, nasceu o álbum "Centelha", com poesias que passeiam por toda a trajetória literária de Luciene, declamadas pela autora e com produção musical de P3. Inclusive, o percurso das 21 faixas também é uma construção de sentido da própria poeta.

raul lázaro

luciene

 Exposição Imaginários

Na musicalidade, há o Hip-hop, claro, onde Luciene se identificou o ‘P do Rap’ (referente à sigla em inglês de Ritmo e Poesia), mas também tem samba, inspirações instrumentais e outras experiências sonoras. “E virou uma moldura linda para a minha poesia, um diálogo com a sonoridade do Ebinho!”, exclamou ela.

O álbum já está disponível nas plataformas de música e o CD pode ser adquirido por R$ 25, no Cine Teatro, na noite de lançamento, ou pelo telefone (65) 9 9635-3486 (Raul Lázaro). O patrocínio da produção dos CDs é de Gabi Strobel, entusiasta e incentivadora da arte. “Apoiadores diretos da arte são raros, precisamos enaltecer quem contribui para o fazer artístico”, registra, Luciene.

Arte visual

Uma caixa simples, reaproveitada, guardava um presente, um tesouro: o trabalho do artista visual Victor Queiroz, amigo de longa data de Luciene. “No comecinho deste ano, no meio da pandemia, eu recebi aquela caixa com uma devolutiva”.

Tratava-se da releitura de Victor Queiroz às poesias da trilogia de Luciene Carvalho - os livros "Aquelarre", "Sumo de Lascívia" e "Conta-gotas", lançados em 2007. Victor levou consigo as publicações danificadas, impróprias para a venda, inservíveis… e fez poesia nas artes visuais. Recortou os poemas e, por meio de colagens feitas a mão, reinventou, agregou significados, bordou novas poéticas. “É como eu, que estava machucada e quase fui…” e, como fênix, renasceu,

Há obras com possibilidades infinitas de compreensão - como somente as artes despertam. Já não é mais a poesia de Luciene, é outra poesia. Mas também é. “São buquês de flores, possibilidades ramificadas”.

“A exposição se chama ‘Imaginários’, porque tão longe a gente se imagina e a gente imaginou junto, pela primeira vez, essa síntese”, conta Luciene. “Ela, a minha arte, se ressignificou todinha, e que bonita esta roupa nova!”, figurou.

As telas de colagens estarão disponíveis para a venda, cada qual no valor de R$ 120. “Porque a arte também precisa ser acessível”, registra uma das maiores defensoras da condição de que os artistas são trabalhadores da arte, portanto, sobrevivem com o recurso proveniente de seu ofício.

luciene

 

Flores e frutos

Os frutos da Primavera Luciene, pela perspectiva da poeta, assumem dois sentidos: tanto o de resultado da trajetória, quanto o de produto - fruto do trabalho, apto à venda.

Ainda nesta estação - na segunda quinzena de outubro - Luciene lançará dois produtos, pelos quais é reconhecida: publicação de livros. Mas, sempre, trazendo elementos novos. Ambos serão publicados pela Carlini & Caniato.

Luciene foi contemplada para projetos financiados pela Lei Aldir Blanc nas esferas municipal e estadual. “Na Aldir Blanc estadual, é um livro de poesia, que se chama Gula D’Água. E, nesse livro, eu vou falar de amor-afeto, de amor-relacionamento”, uma temática ousada nestes tempos, em que não se encontra mais ‘amor’ na poesia, na publicação de livros.

O livro ‘Doze contos: interpretando a miragem’, contemplado pela Lei Aldir Blanc em Cuiabá, traz a poesia de Luciene em forma de prosa, uma nova forma de ‘estar literário’ da escritora. “É um olhar sobre a sombra humana, sobre coisas que não dizem na sala de estar”.

E, fechando a ‘Primavera Luciene’, a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na Academia Mato-grossense de Letras receberá o título de Mestra da Cultura, mediante releitura do Grupo Tibanaré, cujo projeto ‘Canção da Iniciação’ foi contemplado pelo edital ‘Mestres da Cultura’, da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT), também com recursos da Lei Aldir Blanc.

Na proposta transmídia, Luciene será personagem de um espetáculo de teatro a ser apresentado de forma híbrida (com público presencial e transmissão on-line) e de podcasts. (*da assessoria)

raul lázaro

luciene

Luciene por Emanuelle Calgaro

 


Fonte: Tyrannus Melancholicus
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