AUDIOVISUAL

"A Partir... Podemos..."



filme marchetti miolo

Elenco (da esquerda para a direita): Victor Lucas de Lima Tenório, Romeu Benedicto, Daniela Arantes e Gabriella Helena Silva Nogueira

O verde da mata, o azul do céu, o som dos animais. A paisagem natural do cerrado mato-grossense se cruza com as histórias de Ivens Scaff, contadas enquanto um de seus personagens desce, absorto, um rio de pensamentos. "A Partir... Podemos...", mais novo filme do diretor cuiabano Luiz Marchetti, é, além de uma homenagem ao escritor regional, uma contemplação da riqueza natural e valorização do cinema Cuiabano.

Marchetti é cineasta há 30 anos e aposta na valorização de um cinema mais autoral e inclusivo, que dialogue com suas fronteiras, principalmente a literatura local. É o  responsável pelo ajustamento do conto homônimo para a dramaturgia audiovisual. "Trabalhamos para que a adaptação para o cinema preserve toda a magia, subjetividade e força imaginária da obra. 'A Partir... Podemos...' é a idealização de um entrelace de criações e parcerias poéticas", destaca o diretor.

De tchapa e cruz até no nome, Ivens Cuiabano Scaff é médico, escritor, poeta e membro da Academia Mato-grossense de Letras. Na rodovia para o município de Chapada dos Guimarães, no quilômetro 20, está localizado seu sítio. O local de inspiração para suas criações agora é a locação principal para as filmagens de sua primeira obra adaptada para o audiovisual.

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"A Partir... Podemos... é a idealização de um entrelace de criações e parcerias poéticas" (Luiz Marchetti)

"Eu percorri os mesmos caminhos que o personagem hoje faz, da casa do sítio para o rio, e agora para o cinema. Foi ali onde minha inspiração floriu para o conto. É emocionante poder vivenciar esse momento único em minha trajetória. Essa é minha primeira obra adaptada para o cinema", ressalta Ivens. Para ele, transportar a obra de uma linguagem para a outra requer sensibilidade e, ao mesmo tempo, doses de coragem, características marcantes nos trabalhos do diretor. "Marchetti foi de uma delicadeza e atenção aos detalhes, para que nada se perdesse ou não chegasse à tela. Inclusive, toda a equipe de produção está de parabéns pelo trabalho", disse o escritor.

Responsável pela condução da história, o personagem principal ficou por conta da consistente interpretação de Romeu Benedicto, ator cuiabano com mais de 30 anos de carreira. "Foi uma honra poder estar à frente de um texto de Ivens Scaff que, além de amigo, é uma personalidade importante para a cultura cuiabana", salienta Romeu.

Romeu interpreta um homem trabalhador e esforçado, que cuida de sua família e goza de estabilidade, mas que ao longo do tempo, começa a sentir um afastamento, um distanciamento. E então encontra no Rio Coxipó a vontade de se deixar ser levado. "O filme fala de uma ausência que o homem sente ao longo da vida. Não é sobre dor, mas sobre a constatação da sequência da vida. Este é um filme-arte, uma abstração. É deixar-se levar, se soltar", aponta o ator.

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"É emocionante poder vivenciar esse momento único em minha trajetória. Essa é minha primeira obra adaptada para o cinema" (Ivens Scaff)

Com roteiro envolvente, emoldurado por imagens sob a direção de fotografia de Keydson Barcelos, da Quadro a Quadro Filmes, o verdejante Coxipó assina seus próprios filtros, segundo o profissional, que tem mais de 25 anos dedicados ao audiovisual. "Os recursos tecnológicos são um importante instrumental, mas é o olhar para essa grandiosidade natural que temos aqui que engrandece a fotografia do filme. Usar da luz natural no melhor horário para a captação vem de se observar, contemplar", pontua Keydson.  

Equipe e natureza em cena

Para Márcio Borges, coadjuvante na trama e amigo de longa data de Ivens Scaff, além de se sentir honrado ao participar da produção, cabe enaltecer a convivência com todos os profissionais durante os dias de gravação. "Tivemos uma relação harmoniosa. Todos muito profissionais, uma direção exata, sabendo aonde quer chegar, além do elenco marcante. Todo mundo muito focado é fundamental para que a gente desenvolva um trabalho profissional mais apurado", assinala Márcio.

Além do enredo em si, outro ponto que chama a atenção é a valorização do ecossistema que circula o Rio Coxipó, presente na história e cultura de muitos cuiabanos. "Além de enaltecer o fazer artístico cuiabano, acredito que a obra também é uma forma de defesa ao patrimônio natural e cultural que é o Rio Coxipó e o que ele representa. É uma forma de pedir por cuidado e preservação do rio que faz parte da história de Cuiabá", destaca Ivens.

O projeto concretiza-se pela Lei Aldir Blanc, por meio do Fundo Municipal de Cultura de Cuiabá. "A Partir... Podemos..." reúne um time de cuiabanos e cuiabanas, nascidos ou de coração, em prol do fazer artístico na Capital de Mato Grosso. "A obra é justamente o registro de que tem gente inquieta fazendo arte aqui, com coragem e dedicação. É fundamental que tenhamos cada vez mais trabalhos artísticos sendo desenvolvidos, mais oportunidades para os profissionais da cultura e também de acesso da população a essas obras", aponta Luiz Marchetti. (*com assessoria)


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