POESIA

Waly Salomão

Exterior



Por que a poesia tem que se confinar
às paredes de dentro da vulva do poema?
Por que proibir à poesia
estourar os limites do grelo
                                   da greta
                                   da gruta
e se espraiar em pleno grude
além da grade
do sol nascido quadrado?

Por que a poesia tem que se sustentar
de pé, cartesiana milícia enfileirada,
obediente filha da pauta?

Por que a poesia não pode ficar de quatro
e se agachar e se esgueirar
para gozar
-CARPE DIEM!-
fora da zona da página?

Por que a poesia de rabo preso
sem poder se operar
e, operada,
                   polimórfica e perversa,
não poder travestir-se
                    com os clitóris e os balangandãs da lira?



Waly Salomão, poeta brasileiro (1944-2003)


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