POESIA

Hart Crane

Jardim abstrato*

A maçã no seu galho é tudo o que ela quer,
Suspensão cintilante, mímica do sol.
O ramo arrebatou-lhe o sopro, e sua voz,
Mudamente cingida aos declives e alturas
De ramo a ramo acima, turva-lhe a visão,
Prisioneira da árvore e seus dedos verdes.

E ela se sonha enfim a própria árvore.
O vento, que a possui, tece-lhe as veias jovens,
Retendo-a para o céu e seu rápido azul,
E afoga a febre de suas mãos no sol.
Ela não tem memória, medo ou esperança
Além da grama e sombras a seus pés.

 

*Reproduzido de https://www.revistaprosaversoearte.com , tradução de Augusto de Campos

 

Hart Crane (1899-1932), poeta dos Estados Unidos


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