OPINIÃO

Prefeitura pisou na bola com artistas



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"Árvore de Todos os Povos", obra de Dias-Pino, artista com projeção internacional

Os artistas já ausentes Wlademir Dias-Pino (1927-2018) e Adir Sodré (1962-2020) confirmam-se como campeões do aviltamento da parte do poder público de Cuiabá, neste fatídico ano em curso. Em dezembro do ano passado, após uma ‘revitalização’ da Praça 8 de Abril, aquela mesma que fica em frente ao Chopão, obras da autoria deles foram sumariamente exterminadas daquele logradouro público.

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Wlademir Dias-Pino (1927-2018), artista carioca que viveu em Cuiabá e adorava a cidade

A ação, pra lá de questionável, foi feita de uma hora pra outra, gerando uma intensa revolta – com razão, na comunidade cultural da cidade. A orquestração da prefeitura de Cuiabá gerou grande revolta e um grupo de militantes da cultura cuiabana protestou e foi recebido na secretaria municipal de cultura, em janeiro deste ano. Ano de eleição.

Claro que as promessas vãs rolaram e foi garantido (diz que) o retorno das obras para abril deste mesmo ano, considerando o aniversário da cidade que é, justamente, em oito de abril, data que nomina a famigerada praça. Estamos completando, portanto, seis meses, sem que a promessa seja cumprida. 

Toda paciência tem limite. Da parte dos dois artistas, que sempre se destacaram em níveis nacional e internacional, grupos de pessoas representativas dos saberes e fazeres culturais de Cuiabá (e MT), articulam represálias contra a postura pífia e inexplicável da prefeitura. 

Na sexta-feira próxima (9), quando Adir estaria fazendo aniversário, se estivesse vivo, amigos e apoiadores do artista programam uma manifestação na própria praça. Por outro lado, a Casa de Cultura Silva Freire deve lançar nos próximos dias um abaixo-assinado pelo retorno da escultura de Dias-Pino.

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Adir Sodré (1962-2020), grande artista mato-grossense, que faz muita falta

Tristeza

Costumo ser repetitivo quando me reporto com posturas críticas. Não é nada agradável publicar palavras nesse sentido, mas é preciso fazer isso. É também preciso lembrar que Mato Grosso, quase sempre, quando aparece positivamente no noticiário nacional, a motivação costumeiramente parte do trabalho dos artistas desta terra.

Friso que nem Wlademir, tampouco Adir, são cuiabanos. Eles nasceram, respectivamente, no Rio de Janeiro e em Rondonópolis. Mas viveram vários anos em Cuiabá e desenvolveram uma relação afetiva e criativa com esta cidade calorenta. E agora são protagonistas de mais um triste episódio recorrente, perpetuando o desprezo e a falta de consideração que lhes é dedicado.

O caso de Wlademir, também chamado carinhosamente de Wlad, é mais grave, considerando que a sua obra “Árvore de Todos os Povos”, foi encomendada pela prefeitura de Cuiabá em 2007 e instalada no local em 2008. Na época, lembro-me do bafafá que originou esse episódio, já que os mandatários do poder público cuiabano de então, se recusaram a pagar o trabalho do artista. Nunca jamais tive notícias de que o artista foi pago e quero crer que ficou por isso mesmo: um tremendo de um calote.

Então, é isso. Tristeza, tristeza e tristeza... Saudades desses artistas que foram grandes amigos meus e influenciaram meus caminhos pelas artes. Me orgulho de dizer que a minha primeira entrevista na carreira jornalística, que já perdura há 35 anos, foi com Wlademir. E no começo dos anos 1980 conheci e me tornei amigo do querido Didi. 

Desejo paz aos dois. Desejo também que a prefeitura de Cuiabá tenha a capacidade e a vergonha na cara suficientes, de reparar esse enorme desrespeito para com esses dois grandes artistas.   

 

 


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