COLÓQUIO INTERNACIONAL

Trabalho análogo ao escravo em pauta



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Evento na Universidade de Oxford teve participação de lideranças indígenas brasileiras, como cacique Raoni Metuktire, Davi Kopenawa Yanomami e a deputada federal pelo estado de Roraima, Joenia Wapichana; entre outras

Oficialmente abolida do Brasil em 1888, a escravidão é um problema que persiste em nosso país, em especial nas regiões de “fronteira”. É o que aponta o professor Vitale Neto, do Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIS), no trabalho “A reincidência de relações de trabalhos degradantes na fronteira amazônica no final do século XX”.

Em sua pesquisa, o professor analisa a evolução do trabalho análogo ao escravo no Brasil desde o início do século XIX e descreve o processo de expansão da fronteira agrícola em direção à Amazônia e como esse avanço cria zonas de exceção da lei, na medida em que o próprio Estado delega seus poderes para empresas privadas, igrejas e organizações não governamentais. 

“Esses são espaços em que as relações capitalistas se desenvolvem sob condições excepcionais e, portanto, onde as leis que governam os territórios centrais não alcançam. A condição de periferia permite a existência de relações de trabalho análogo ao escravo, que, como vemos, não desapareceram com o desenvolvimento agrário e a modernização”, afirmou Vitale.

A pesquisa do professor Vitale foi apresentada no “Colóquio Internacional de Política Socioambiental Amazônia: Violência Crescente e Tendências Preocupantes”, que ocorreu na Universidade de Oxford, na Inglaterra, entre 31 de janeiro e 2 de fevereiro. O evento foi organizado pelo Arts and Humanities Research Council (AHRC), instituição britânica de apoio à pesquisa em Artes e Humanidades. 

A UFMT é uma das universidades integrantes dessa rede internacional de pesquisadores, juntamente com a Universidade de Cardiff, do País de Gales, e a Universidade de Oxford, que sediou o colóquio.

“O objetivo do evento foi discutir a violência contra os povos indígenas, lideranças camponesas e população tradicional da Amazônia. É dar visibilidade internacional para um problema nacional muito grave”, destaca o professor Vitale. “E o retorno para a instituição [a UFMT] já está dado. Temos um projeto financiado no Reino Unido, parcerias internacionais estabelecidas, já em andamento, com produção já publicada. A UFMT é parte disso”, completa o professor.

Além dos pesquisadores da rede, o evento também contou com a participação de lideranças indígenas brasileiras, como o cacique Raoni Metuktire, Davi Kopenawa Yanomami e a deputada federal pelo estado de Roraima, Joenia Wapichana. (*com assessoria da UFMT)

reprodução

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"O objetivo foi discutir a violência contra os povos indígenas, lideranças camponesas e população tradicional da Amazônia" (Vitale)


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