CRÔNICA

É luxo. Só...



pluct

É preciso ir para dentro de si em busca da satisfação que nos resume e nos resta: a interior

Que maré, querida cronista, que maré. Estão tirando as sacolas plásticas dos supermercados para tentar diminuir o impacto do lixo nos oceanos. Elas e outros objetos não mencionados estão sufocando e ocupando espaço de peixes e afins nas vastidões marítimas.

Aí... desculpe a introdução. Tinha jurado só enviar notícias boas pela fresta de lua da janela de sua cela na reclusão voluntária do outro lado do túnel, amiga querida.

O que tenho a dizer é que, das piores, essa proibição legal fluminense (vale aqui no Rio de Janeiro) é das melhores. Ou seja: é daí para pior.

Não se aflija. Não pretendo gastar nossos momentos periódicos juntos falando das atrocidades do dia a dia aqui de fora.

Estou buscando outros caminhos. Os que alegram nossa existência. Aviso logo. É preciso ir para dentro de si em busca da satisfação que nos resume e nos resta: a interior.

É isso mesmo. Tirei 15 minutos do meu tempo na terra por dia para fazer a meditação da abundância de Deepak Chopra. Dura 21 dias e já cheguei ao final. O que a gente não faz para não contaminar seu quadrado? Hoje é dia de procurar o luxo.

Você sabe, cara cronista, cada um tem o seu. Falar com você, encontrar um novo ângulo para registrar numa das pontas que você me apresentou de cara, na minha atabalhoada chegada no planeta. Lembra?

O sol tocando minha simbiótica pele terráquea enquanto escrevo para você. A imagem do surfista desafiando o mar que se projeta esfomeado em direção a mureta, diminuindo a faixa de areia e o espaço para os privilegiados que podem frequentar o espaço em plena sexta-feira.

Deixei para contar agora porque esse luxuoso detalhe sempre fez parte das suas narrativas da Ponta do Leme: a chance de estar no paraíso nas tardes do último dia de trabalho da semana. Cada um com seu luxo.

Inclusive o de rir do “luxo” alheio. Com todo o respeito, é claro... Quando for merecido, ressalte-se.

E isso anda fácil para quem acompanha a movimentação das redes sociais, o novo aboio que leva e traz poucas verdades, mas propaga mentiras inacreditáveis (no sentido exato da palavra).

Esse movimento desperta um efeito manada impressionante. Capaz de conduzir, para “todos” os dois lados paixões e opiniões. Nada se verifica, tudo se reproduz. Num efeito tsunami que vai e vem.

Sei que pelo tempo de seu isolamento não dá para dimensionar o que estou narrando. Melhor assim. Esse é um luxo que poucos têm nesse momento.

Aliás, esqueci de mencionar, mas sei que é importante para você, cronista aluada. Estamos saindo de um eclipse solar total! O único desse ano. Diz a lenda que ele trará mudanças.

E aí vai mais um luxo: o de ter esperanças. E são elas que nos permitem aguardar a abundância no futuro. Parece incoerente? Pois não é. Já que esse objetivo está dentro de cada um. E no momento, essa é a joia que nos cabe lapidar. É a ela que ainda temos acesso. Porque não depende de ninguém, além de nós, alcançá-la e nela trabalhar.

Cronista, não é fácil para quem é bombardeado o tempo todo por tantas possibilidades e energias. A maioria lamentavelmente negativas.

Elas funcionam como o imã que atrai minha nave, impedindo minha tão desejada partida. E, já que não posso viajar para fora, o faço para dentro de mim mesmo.

Do seu, aparentemente mais livre, Pluct, Plact.

PS: Mas será?  


*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com

 


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