CINEMA ONLINE

Curtas do Coletivo Quariterê



toni

"Memórias de Toni", doc. sobre estudante assassinado

Oito curtas de realizador@s matogrossenses ligad@s ao Coletivo de Audiovisual Negro Quariterê são atração dessa e da próxima semana na Temporada de Filmes Online, ação do Cine Teatro Cuiabá organizada em substituição à programação presencial cancelada em atenção às medidas de contenção e prevenção à covid-19. Enquanto durarem as medidas de distanciamento social, a Temporada de Filmes Online difunde conteúdos audiovisuais independentes, com ênfase na produção realizada em Mato Grosso, através das redes sociais do Cine Teatro Cuiabá e do Cineclube Coxiponés da UFMT. 

O compartilhamento de novos filmes acontece sempre a partir das 19h30 das terças-feiras, mantendo o dia da semana e horário em que tradicionalmente acontecem as sessões de cinema do Cine Teatro Cuiabá. A partir das 19h30 dessa terça, 28 de julho, serão compartilhados na “Sessão Afrocine Realizador@s Coletivo Quariterê da Temporada de Filmes Online” os curtas “Abecedário: encontros e desencontros nas letras mato-grossenses”, “Como ser racista em dez passos”, “Leonina”, “Memórias de Toni”, “Pandorga”, “Poemargens”, “Se acaso a tempestade fosse nossa amiga eu me casaria com você” e “Sob os pés”.  A curadoria é de Anna Maria Moura & Wuldson Marcelo. Todos os curtas têm classificação indicativa 14 anos.  A ação envolve parceria entre realizador@s, o Cine Teatro Cuiabá, o Cineclube Coxiponés da UFMT e a REC-MT (Rede Cineclubista de Mato Grosso).

A Temporada de Filmes Edição Especial integra a Programação Cultural Online da Quarentena do Cine Teatro Cuiabá, que semanalmente compartilha, pela internet, conteúdos culturais diversos, com atrações diárias. Para acessar os filmes e saber mais sobre o restante da programação, acesse facebook.com/cineteatrocuiaba. 

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vento

Integrantes do Quariterê que participaram de produção inédita. O curta "A velhice ilumina o vento", de Juliana Segóvia, em fase de finalização

Sobre o Coletivo de Audiovisual Negro Quariterê 

O Coletivo de Audiovisual Negro Quariterê é formado por afrodescendentes que atuam como produtores e entusiastas do audiovisual no estado de Mato Grosso, com o objetivo de discutir temáticas relacionadas às questões raciais e suas interseccionalidades, que agravam preconceitos de gênero, sexualidade, geracional, estratificação social e econômica. Nesse sentido, o Coletivo de Audiovisual Negro Quariterê realiza, incentiva e apóia ações voltadas para a promoção da equidade de raça e gênero no segmento audiovisual. O Coletivo Quariterê tem a missão de propor, debater, influenciar e monitorar políticas públicas nos âmbitos municipal e estadual que convergem em ações afirmativas para inclusão dos profissionais negros e negras em toda a cadeia produtiva do segmento audiovisual.

O Quariterê, homenageado no nome do coletivo, foi o Quilombo do Quariterê, localizado na região de Vila Bela, primeira capital do Estado. A história do quilombo é a história de Teresa de Benguela, rainha do Quariterê. Sua resistência heroica e seu espírito democrático foram inspirações para a criação desse lugar de aquilombamento para os profissionais do audiovisual mato-grossense, esse lugar onde podem chegar e se reconhecer entre pares. O encontro de profissionais negros da cultura e do audiovisual que daria origem ao Coletivo Quariterê aconteceu em 19 de setembro de 2017, dias após participarem da Oficina de Cinema Negro ministrada pelo Prof. Dr. Celso Prudente na Universidade Federal de Mato Grosso, entre 11 e 14 de setembro do mesmo ano.

logo quariterê

Logo do Coletivo Quariterê

Cerca de um ano antes, em 2016, uma ação da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso chamou a atenção desses mesmos profissionais afrodescendentes atuantes na produção cultural e audiovisual, como também de vários/as ativistas dos movimentos sociais negros do estado, ao propor a realização da I Mostra de Cinema Negro de Mato Grosso, marcada para acontecer no mês da Consciência Negra, em novembro de 2016. A questão que chamou a atenção naquela época foi a organização da Mostra ter sido pensada, planejada e protagonizada por uma empresa produtora local onde todas as pessoas envolvidas no projeto eram brancas. Tal fato não surpreende vindo de um setor hegemonicamente branco, cis, heteronormativo e elitizado. Mas como agravante da situação, os convidados para compor as mesas e palestras eram majoritariamente pessoas brancas, que se propunham a discutir narrativas e experiências negras, em filmes repletos de representações estereotipadas, objetificadas e subalternizadas. As atividades “formativas”, formuladas com o título Deu Branco, assim como toda a produção da Mostra, teve como justificativa de ter sido desenvolvida dessa forma através do argumento de que não havia no Estado de Mato Grosso profissionais negros no setor audiovisual aptos para debater os temas. 

A soma desses fatos despertou indignação e gerou protestos nas redes sociais que contaram com apoio de diversas lideranças do movimento negro, especialmente impulsionadas por profissionais negros do setor cultural da cidade de Cuiabá. Os protestos exigiram da Secretaria de Cultura do Estado retratação e providências para solucionar a questão. Diante da situação, a I Mostra de Cinema Negro foi suspensa. Houve muitas reuniões e por fim, após muitos debates, ocorreu uma reorganização. Naquele momento a SEC-MT acatou que era necessário tratar das temáticas e pautas raciais contando com a experiência de profissionais e os argumentos de pessoas que vivenciam na pele estas questões e que, exatamente por isso, possuem propriedade argumentativa. Diante disso, foram convidados profissionais negros para compor a equipe organizadora da I Mostra de Cinema Negro de Mato Grosso, que foi realizada cerca de 20 dias após o Dia Nacional da Consciência Negra. 

Em seus quatro anos de existência, de 2017 a 2020 o Coletivo Quariterê já organizou três edições Mostras de Cinema Negro e atualmente prepara-se para realizar a nova edição, que em razão da pandemia de COVID-19 acontecerá na internet. Este ano, a temática da Mostra é Sobre(vivência) e foi escolhida para falar da resiliência do povo negro. Nesse sentido, por estar dentro de um sistema que cada vez mais coloca a negritude e a arte como inimigos, o cinema negro no Brasil tem, desde seu nascimento, a força motriz do antiepistemicídio, do antirracismo e da construção de novas potências de viver. “Sobrevivemos sabendo que nossos corpos e ideias são os alvos, buscando na ancestralidade os exemplos para (re) construir nossas histórias e (sobre) viver às dificuldades”, enfatiza Anna Maria Moura, uma das organizadoras da Mostra. A V Mostra de Cinema Negro de Mato Grosso está com inscrições abertas até 30 de julho através do site www.quaritere.com.br.

cinema negro

V Mostra de Cinema Negro de MT, inscrições até 30/07

A Sessão Afrocine, que ocorre desde o ano de 2018, é um projeto criado em parceria com o Cineclube Coxiponés da UFMT, em que os filmes selecionados em todas as edições das Mostras de Cinema Negro, bem como outros filmes convidados, são exibidos e debatidos em data mensal fixa, no auditório do Centro Cultural da UFMT. A sessão é gratuita, aberta aos alunos da universidade e à comunidade. Os curadores, Anna Maria Moura e Wuldson Marcelo, são responsáveis pela seleção de filmes, tanto das mostras realizadas como da Sessão Afrocine. A sessão conquistou um público regular e é um dos motivos de orgulho do Coletivo Quariterê por ter extrapolado, pela primeira vez, o limite da capacidade do auditório do Centro Cultural da UFMT para uma atividade de difusão audiovisual, ao exibir, juntamente com outros curtas-metragens, o lançamento do filme Como ser racista em 10 passos, de Isabela Ferreira. 

O Coletivo possui também ações diretamente ligadas ao debate e à luta pela implementação de políticas públicas afirmativas, bem como a discussão sobre a inserção da pessoa negra no mercado (contemplando do mesmo modo outras “minorias”), como a reivindicação da estruturação do edital da cultura do município no ano de 2018, para que o valor destinado de 100 mil ao segmento audiovisual fosse subdividido em 4 valores para os concorrentes: uma parcela de 50 mil para diretores não-estreantes e duas parcelas de 25 mil para diretores estreantes, visando com isso a participação de indivíduos com dificuldades estruturais e acesso para a elaboração de carreira e currículo. O Coletivo Quariterê reivindicou também a inclusão de políticas afirmativas, na formatação do edital do estado, direcionado ao segmento, no ano de 2018, como vagas destinadas a afrodescendentes, indígenas e LGBTQIA+ e vaga para direção estreante; neste caso, a conquista foi em relação a vaga para direção estreante, inclusa no edital. Também se posicionou de maneira obstinada em relação a decisão de utilização do recurso público, previamente pensado para a formação, no valor de 600 mil reais, investimento que seria realizado pela Secel-MT no setor audiovisual (ano 2019/2020), para que fosse definitivamente destinado à contratação de uma instituição de respaldo nacional para a formação de novos profissionais.

sob os pés

"Sob os pés", um curta de Juliana Segóvia & Neriely Dantas

Em 2019, o Coletivo Quariterê produziu de maneira independente o primeiro filme do Coletivo: "A Velhice Ilumina o Vento", de Juliana Segóvia (ainda sem data de estreia), com apoio das produtoras Latitude Filmes e Plano B Filmes e com o patrocínio da Agro Serra nos custos básicos da produção (alimentação, deslocamento, aluguel de Van). O filme tem como protagonista Valda (interpretada por Benedita Silveira), mulher preta, periférica, trabalhadora e que tem como descontração a ida à Bailes da Terceira Idade. O filme foi planejado todo de forma colaborativa e envolveu na realização mais de 24 pessoas negras, desde a pré-produção à pós-produção, com o intuito não só de que o coletivo tivesse uma obra audiovisual com temática negra - agregando às conquistas do grupo um produto realizado pelo Quariterê -, mas que também pudesse servir como experiência de formação audiovisual para todos os participantes, refletindo assim sobre a constituição da equipe e os bastidores de um filme.

Neste momento de pandemia, o Quariterê desenvolveu o projeto QuariTV, no qual entrevista pessoas de diversas áreas para falar sobre negritude e também sobre o momento atual na perspectiva da população negra. Atualmente, dois membros do Coletivo Quariterê compõem a diretoria e o conselho fiscal, respectivamente, da associação MTCine, visando pautar a equidade racial e fomentar a representatividade, fazendo valer o debate sobre a inclusão das pessoas afrodescendentes no cenário audiovisual. O Coletivo também realiza encontros periódicos do “Grupo de Estudos Quariterê”, que problematiza questões envolvendo cinema, mídia e raça a partir de textos teóricos em contraste com obras audiovisuais. A próxima reunião do Grupo será no dia 01 de agosto, das 15h às 17h, com leitura do texto “Dogma Feijoada: a invenção do cinema negro brasileiro”, que iluminará a conversa sobre o filme “Carolina” (2012), de Jeferson De. Para participar do grupo de estudos, siga o Coletivo de Audiovisual Negro Quariterê no facebook.com/coletivoquaritere

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"Poemargens", de Anna Moura e Sol Ferreira, combina poesia e audiovisual

Sinopse dos curtas

"Abecedário: encontros e desencontros nas letras mato-grossenses" (Jonathan César, 2017, 30’). Sinopse: Aqui, através de memórias, também se conta a história das letras em Mato Grosso para além da instituição. Os encontros e os desencontros que ressignificaram o alfabeto português no centro da América do sul e formaram outra coisa, outro abecedário.

"Como ser racista em dez passos" (Isabela Ferreira, 2018, 13’). Sinopse: Curta provocativo que traz à tona e confronta o racismo estrutural velado, através de situações sensíveis, normalizadas e naturalizadas que serão facilmente identificadas pelo público. O filme mostra a realidade cotidiana de pessoas negras comumente afetadas pelo racismo enraizado, por atitudes que vão além do verbalmente dito. O racismo é real e precisa ser discutido.

"Leonina" (Rodolfo Luiz, 2017, 5). Sinopse: O curta acompanha instantes da vida de Leo. A felicidade para todos é relativa e para Leo é muito simples: viva.

pandorga

"Pandorga", de Maurício Pinto, produção que será exibida

"Memórias de Toni" (Corte Seco Produções, 2020, 11’). Sinopse: Toni Bernardo veio da Guiné-Bissau para Cuiabá por um convênio com a UFMT para estudar economia, mas no dia 22 de setembro de 2011 foi espancado e morto em uma pizzaria próxima à universidade. Quase nove anos depois o documentário “Memória de Toni” traz a lembrança desse caso no momento em que o mundo protesta contra o racismo e vários movimentos sociais reivindicam  justiça para Toni.

"Pandorga" (Maurício Pinto, 2017, 17’). Sinopse: Acompanhados de um envelope que guarda o futuro, um casal (Ella Nascimento e Álamo Facó) decide viajar numa estrada cheia de memórias e sentimentos. As reflexões e acontecimentos no caminho podem reconstruir sua história.

"Poemargens" (Anna Maria Moura & Sol Ferreira, 2020, 25’). Sinopse: Sol e Ananás coadunam em poemas, investigando as possibilidades de comunicação entre poesia marginal e performatividade para uma produção artística singular e autoral onde rimas se tecem e trajetórias se recriam.

abecedário

Marília Beatriz em "Abecedário...", de Jonathan César

"Se acaso a tempestade fosse nossa amiga eu me casaria com você" (Wuldson Marcelo & Felippy Damian, 2015, 20’). Sinopse: Um dia na vida de um casal de namoradas. A crise no relacionamento, que completou seis anos, aprofunda-se com os transtornos emocionais que acometem Bárbara (Juane Mesquita) e a inversão de papéis, que coloca Karina (Thaísa Soares) como a divertida e festeira das duas. Neste dia tudo o que foi até então silenciado explode e a casa se torna local de estranhamento e terapia.

"Sob os pés"  (Juliana Segóvia e Neriely Dantas, 2015, 20’0). Sinopse: O calor de 40º graus, a sinuosidade das ruas cuiabanas e o relevo irregular da cidade tornam-se obstáculos instigantes para os praticantes de skate. Aparentemente encerrados em recônditos discretos aos olhos alheios, os skatistas permeiam a cidade de Cuiabá revelando-se um grupo conciso, organizado, solidário e singular.

Cine Comentário Sonoro sobre Pandorga e Como ser racista em 10 passos

Para complementar a difusão online dos curtas d@s realizador@s do Coletivo de Audiovisual Negro Quariterê serão publicados dois episódios da série Cine Comentário Sonoro às 19h30 de 04 de agosto (próxima terça-feira, em que a programação da Temporada de Filmes Online continuará destacando os curtas do Coletivo Quariterê). Em um dos episódios, Maurício Pinto relembra bastidores de produção de “Pandorga”. No outro, Isabela Ferreira divide memórias sobre a realização de “Como ser racista em 10 passos”, curta premiado na MAUAL 2018. Na série “Cine Comentário Sonoro”, realizador@s relembram histórias associadas à produção de seus filmes, através de uma faixa de comentário sonoro integrada aos curtas. A série é uma parceria entre realizador@s, o Cineclube Coxiponés da UFMT e a Rede Cineclubista de Mato Grosso (REC-MT). Todos os episódios estão disponíveis no canal do YouTube do Cineclube Coxiponés.  (*com assessoria)

racista

"Como ser racista em dez passos", curta de Isabela Ferreira

SERVIÇO

O QUE: Temporada de Filmes Online, com compartilhamento de oito curtas de realizador@s do Coletivo de Audiovisual Negro Quariterê
QUANDO: A partir das 19h30 de terça-feira, 28 de julho de 2020.
ONDE: facebook.com/cineteatrocuiaba (Link Publicações).
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: na ficha dos filmes
MAIS INFORMAÇÕES: email: pautacineteatrocuiaba@gmail.com
CURTAS FICARÃO DISPONÍVEIS NO LINK:  https://wp.me/pbQLhj-rL

leonina

Imagem de "Leonina", curta-metragem de Rodolfo Luiz

 

 


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