PIXÉ

Revista com aúfa de letras e artes



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Obra de Adilio Felsing

A revista virtual Pixé (https://www.revistapixe.com.br/) acaba de emplacar a sua 19ª edição. Criada e "tocada" pelo escritor Eduardo Mahon, vem publicando mensalmente desde 2019, a cada número novo, cerca de 25 autores de Mato Grosso e de outros estados.

A literatura é o carro chefe da publicação, mas Pixé também envereda por outras artes. A cada nova edição, por exemplo, um artista plástico aplica sua arte ilustrando a revista. Nesta revista 19, coube ao artista de Cabo Verde, Adilio Felsing, que já expôs em vários países e, atualmente, está radicado na Alemanha.

Pixé foi uma adorável novidade surgida em 2019, que vem mostrando uma valorosa trajetória. Nestes tempos de quarentena cai como luva para quem aprecia consumir artes. Segue abaixo uma entrevista com o serelepe Eduardo Mahon que, além de escritor (dizem que ele é advogado também), vem se mostrando um bravo articulador nas artes mato-grossenses, especialmente, na literatura.

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Trecho de "Tatuagem", conto de Klaus Henrique Santos

Pixé está completando um ano de intensa literatura e outras artes no mundo virtual. Começo te pedindo pra citar números sobre a publicação. Não precisam ser exatos, apenas aproximadamente. Por exemplo, quantos autores já participaram da revista, algo sobre a intensidade do acesso de internautas e também se há diferenças marcantes entre o interesse pela prosa e pela poesia.

Temos 15 meses de publicação, se contarmos a edição-piloto que fizemos com Silvio Sartori. Em média, são publicados 20 a 30 escritores por número. Muita gente conhecida e muito estreante, um fenômeno que revela a formação de uma nova geração. Nesses 15 meses, temos 19 números porque, em alguns meses, publicamos edições especiais. A primeira foi com João Antonio Neto. Depois, veio uma revista com Lucinda Persona. Tivemos outra com o coletivo Mulherio das Letras. Dois pesquisadores da USP organizaram uma edição especial com autores das periferias brasileiras. Já é muita coisa! Teremos, em 2020, especiais com a obra de Pedro Casaldaliga, Luciene Carvalho e João Cabral de Melo Neto. É só aguardar. Isso para não falar do prêmio que promovemos em 2019 com recursos próprios.

Com relação às preferências, não vejo uma inclinação para algum gênero textual. Para editar, o poema é mais fácil porque divide espaço com a ilustração, conjunto que pode chamar atenção. Entretanto, vejo um acesso equilibrado à prosa. Não só no site (www.revistapixe.com.br), mas também na nossa fanpage www.facebook.com/revistapixe . São quase 7 mil leitores cadastrados em todo o Brasil. Por que eles continuam interagindo?, me questiono. Temos como nossa maior aliada a visualidade da revista. O que é a Pixé? Uma galeria de arte dentro de uma biblioteca ou, se preferir, uma biblioteca dentro de uma galeria de arte.

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Trabalho de Adilio Felsing

Tem essa conversa de produzir uma edição impressa da revista. Fale sobre isso. É pra já ou é pra quando?

Espero que a música do Chico esteja longe da minha resposta: “não se afobe não que nada é pra já”. Isso não! A companhia Cena Onze, uma das grandes parceiras da cultura em MT, encaminhou à Secretaria de Cultura um projeto para publicar a revista. A ideia é reunir o 1º ano com 16 revistas para formar um volume único que facilita a consulta. O material tem altíssima qualidade estética. Em geral, as ilustrações são coloridas, o que demanda um investimento grande. O levantamento preliminar que fizemos indica mais de 100 escritores publicados pela revista nesse primeiro ano de existência, um marco. Acontece muito que periódicos percam o fôlego na largada. Felizmente, não experimentamos o arrefecimento. Ao contrário! Os artistas e os escritores estão cada vez mais estimulados a colaborar.

O projeto estava andando bem antes dessa tragédia que foi a pandemia de coronavírus. Tenho confiança de que a SECEL mantenha sua estratégia cultural que está sublinhando a literatura. Temos aí um novo prêmio de literatura que também fomenta projetos de leitura. Falta publicarmos a revista que espelha esse grande momento, talvez o amadurecimento de toda a movimentação literária desde os anos 90.

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Versos do poema "Vírus", de Lucinda Nogueira Persona

Você é bastante dinâmico, produzindo e articulando em demasia. Em torno da revista Pixé, você diria que sua missão está mais pra cumprida, ou pra comprida?

Como ninguém elaborou uma portaria sobre a minha missão, sempre vou considerar que devo fazer mais. A revista é, de fato, um grande aglutinador de escritores e artistas, um ponto de encontro do contemporâneo. Gostaria que fosse também um ponto de partida para analisar a excelente fase que vivemos na literatura. A despeito de todas as dificuldades, temos uma literatura criativa e consistente que não está comprometida com uma pauta determinada por ninguém. Pelo que leio, nosso único compromisso é com a própria produção. Aliás, o periódico incentiva o escritor à rotina. É muito provável que surjam livros dos colaboradores com base em textos já publicados na Pixé. Minha missão termina quando eu morrer. Acho que vou dar muito trabalho ainda. Isso se o corona não me pegar de jeito.

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A arte de Adilio Felsing, de Cabo Verde, nesta edição

Mudemos o rumo da conversa, sem sair das letras. Você é um advogado bem sucedido que, digamos, “virou” escritor. Para onde você acha que a literatura vai te levar?

Para os olhos do leitor. É a relação mais íntima que podemos ter com alguém. Mais íntimo que o sexo, inclusive. Ser lido é entrar na mente do leitor. Gosto muito quando vejo muitos jovens nos meus lançamentos. O que leva alguém com 15 anos sair de casa à noite para comprar e ler um romance? Pode parecer que a literatura não tem um impacto imediato, sensação completamente ilusória. Por mais que não haja comentário sobre a obra, o jovem ganhará um pouco mais de sensibilidade. Comumente, todavia, os jovens comentam, postam a opinião em redes sociais, emprestam livros, debatem o assunto na escola, com os pais etc. Mais! Tenho a satisfação de acompanhar estudos críticos sobre meus livros. É surpreendente o que não sei sobre meu próprio trabalho. E olha que sei de coisas terríveis a meu respeito!

Ser advogado me leva de casa ao escritório. Caminho apenas 1500 metros. Não quero ser desembargador, não quero ser ministro. Já quis contribuir com a minha classe profissional na Ordem dos Advogados. Hoje não quero essa política classista na minha vida. Onde a advocacia pode me levar objetivamente? Talvez a muitos lugares do mundo, mas como um turista. Ser escritor me leva à convivência intelectual com colegas, professores e críticos. Uma relação sem bússola, mas também sem fronteira. Ser escritor me leva a toda a parte sem que eu precise fazer rapapés. O mérito é avaliado não pelo que se tem, mas pelo que se escreve. É um bom caminho.

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Trecho do conto "Tempos mortos", de Danilo Fochesatto

Já quase terminando (você fala demais – eu também)... a Marília Beatriz, certa vez, sugeriu que a sua verve implacável só poderia ser justificada com a possibilidade da ajuda de alguns duendes. Explique-se.

Eu nem tomo chá de cogumelo para ter duendes comigo. Basta escrever sem pudores que os elementais aparecem. Há frustrados que espalham por aí que contrato um ghost-writer. Deve ser um primo pobre do Ahmed, do Chico Buarque! Fico me perguntando quanto custa e como será o processo. Mas acredito que isso não seja possível no meu caso. Meus erros são recorrentes em todos os livros que publiquei. De qualquer forma, enquanto ele não aparece o tal fantasma, vou escrevendo sem procuração.

O que percebo é que há um enorme contingente de leitores. As escolas estão nos ajudando muito nessa movimentação. Mais recentemente, temos uma crítica profissional se estruturando por meio da Unemat que multiplica o potencial de leitura. De outro lado, há editoras consolidadas e iniciativas alternativas, há o mundo virtual, enfim, temos instrumentos mais eficientes de divulgação coordenado por duendes. Mais importante do que tudo isso – quem faz literatura se respeita. Não importa o gênero, desde que seja literatura.

Antes de formular esta entrevista, pensei bastante se deveria, ou não, sugerir que você falasse um pouco sobre a Academia Mato-grossense de Letras. Você acha que é conveniente?

Não. Por enquanto, prefiro mesmo falar de literatura.

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Eduardo Mahon, escritor e articulador da cultura de MT, o pai da revista


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