PRÊMIO LITERÁRIO

Autores de MT se dão bem no Off Flip



anna

Katukolosu, líder Nambiquara, é literatura premiada

Lá se vão uma meia dúzia de dias (ou mais, dependendo do dia em que vc ler isto) que foi divulgado o resultado do prêmio literário Off Flip. Aquele mesmo promovido pela Festa Literária Internacional de Paraty, lançada em 2003. Por causa da pandemia coromavírus, não sei em que pé está a programação da Flip 2020, mas entre os finalistas deeste ano, a exemplo de 2019, dois autores de MT foram selecionados.

Em 2019 destacaram-se duas autoras do nosso pedaço no certame: Divanize Carbonieri, ficou com o 2º lugar na categoria Conto, com "Correnteza", e entre os finalistas na categoria Poesia, com o poema "Bagaço". Além de Diva, Juçara Naccioli também ficou entre os finalistas na categoria Poesia, com o poema "Um patuá".

Confira a reportagem do tyrannus publicada ano passado no link http://www.tyrannusmelancholicus.com.br/noticias/11971/letras-de-mt-ganham-destaque-na-flip .

Em 2020 foram três categorias: poesia, conto e literatura infantojuvenil. E repete-se a dobradinha mato-grossense. Aclyse de Mattos ficou entre os finalistas na categoria Poesia, com "Elogio a Sancho Pança", enquanto Anna Maria Ribeiro Moreira Fernandes da Costa ficou em terceiro lugar na categoria Infantojuvenil, com "Katukolosu, um grande pajé".

Fiquei sabendo que o Aclyse foi selecionado no último sábado (14) e, de imediato, encaminhei-lhe umas perguntas, que ele respondeu e, entre as respostas, outra surpresa: a premiação de Anna Costa, cujo trabalho em torno das etnias indígenas acompanho e aprecio há anos.

"O mais correto e justo é entrevistar os dois vencedores", pensei com meus botões. Nesta quarta (18), já depois das dez da noite, contato a Anna. "Estou acordada", me responde ela via whatsapp e ligo em seguida. A melhor coisa que existe é dar uma boa notícia pra uma pessoa querida. Ela não sabia, ainda, da premiação. Que coisa...

anna

A causa indígena relatada com emoção por quem sabe

Daí que armei com ela uma entrevista que vou publicar nas próximas edições do tyrannus. Enquanto isso, já tasco aqui a conversa com Aclyse, via e-mail.

Pergunta: Como vc ficou sabendo que estava entre os premiados do Off-Flip, e fale um pouquinho sobre esse momento impactante.
Resposta: Fiquei sabendo pela Divanize quando ela postou no grupo dos escritores no Whatsapp (para mim essa é uma das razões do boom da literatura em MT: muitos autores com qualidade e empenhados na escrita, troca de experiências e divulgação). Aí fui ao site do prêmio e vi que estava entre os finalistas, mas não entre os 3 primeiros. Qual não é a boa surpresa quando na Categoria Literatura Infantojuvenil encontro outra autora mato-grossense: Anna Maria Ribeiro da Costa que ficou em terceiro lugar! Se já estar entre os finalistas indica que seu trabalho está sendo muito bem lido para além de MT, imagina estar entre os 3 melhores. Vale lembrar que a Divanize também foi premiada em edições anteriores. Ela até me deu uma dica: de escolher um poema mais longo e denso.

De que forma brotam os seus versos? Imagino que intuição e razão se amparam... Errei feio?
Os versos brotam de várias experiências: intuição, outras leituras, paixões, fragmentos de conversas. Dia que não escrevo quase que fico triste. 

Você transita livremente entre o verso e a prosa. Gosta e/ou prefere uma dessas duas formas de se expressar? Qual delas julga mais difícil de parir?
A maior facilidade é com o verso. Gosto muito de música. Estudei e tudo. Quando escrevo tenho muita intuição para ritmos e sonoridades. Sou meio dispersivo, então encontro facilidade nas formas curtas: poemas, contos. Um dia me organizarei para escrever um romance. Meu método é meio não linear. Mais um modo, um jeito, uma maneira de sentir.

loro

aclyse

O verso de MT, por causa desse cara, é destaque nacional

Já ando cansado de tanto falar sobre esse boom literário que vivenciamos em MT, faz horinha. Fale um pouco sobre isso. Você acha que a culpa é de quem?
Sempre acreditei que há muitos bons autores em MT. Nossa cultura é muito rica e diversificada, no limiar entre muitas culturas. Isso traz possibilidades de trânsito simbólico, não seguir um cânone só. Dizem que Borges é o que é por ter sido periférico. E Mato Grosso é o centro mais periférico de todos (adoro esses oximoros!). O que aconteceu nos últimos tempos foi uma sistematização (ou orquestração) desses talentos todos: as editoras como a Carlini & Caniato e a Entrelinhas tem um trabalho primoroso; a UFMT, o IFMT e a UNEMAT têm formado e incentivado o potencial de leitura entre alunos e professores; os sites como Ruído Manifesto e o Tyrannus; os pontos de recital (Mosaico) e livrarias pautadas em espaço de eventos (Raro Ruído, Umanos, Janina, EDUFMT); uma revista como a Pixé (herdeira da pluralidade da Vôte!) e finalmente a ocupação de espaços formais como a Academia Mato-Grossense de Letras mais plural e literária, as Secretarias de Educação e Cultura começando a olhar para a excelente qualidade das obras locais, toda uma interiorização revitalizante. Essa sua pergunta é meio capciosa porque acabamos de estar em Tangará para os 10 anos do PPGEL da UNEMAT e o Eduardo Mahon lançou o romance "Mea Culpa" (kkk). Mas tenho certeza que nomes como o de Lucinda Persona, Ivens Scaff e Luciene Carvalho estão entre os mais revigorantes da Literatura de Língua Portuguesa. Tenho mais uma fieira de uns 20 nomes muito bons e que o tempo e as leituras irão confirmar. Meu sonho é encontrarmos uma agência literária que nos represente em bloco como a Carmen Balcells fez com os escritores latino-americanos no século passado.

Diz aí mais alguma coisa que não inseri nas questões acima. Numa entrevista, às vezes, o entrevistador pode pedir ao entrevistado para se valer do livre-arbítrio.
Só que o poema selecionado saiu daquela nossa ideia do Dom Quixote De La Prensa (um Dom Quixote jornalista perseguindo as Fake News no lugar dos moinhos de vento). Outro sonho é encenarmos essa peça na Padaria do Moinho (tudo a ver com Dom Quixote) com esse pessoal do teatro e cinema como Luiz Marchetti, Caio Ribeiro, Marília Beatriz. E você, Lorenzo, será o Dom Quixote!

 


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