BERLINALE

Festival acontece de 20/02 a 01/03



mortos

"Todos os mortos", de Marco Dutra e Caetano Gotardo, na disputa da Berlinale Special, a principal mostra

Enquanto pipocam notícias em torno das dificuldades do setor cultural brasileiro, face uma série de articulações estranhas do governo federal, uma manchete positiva envolvendo a arte tupiniquim bomba nesta quarta-feira (19), estampando capas de vários veículos: o filme nacional “Todos os Mortos”, de Marco Dutra e Caetano Gotardo, integra a seleção dos filmes da mostra e vai disputar o Urso de Ouro.

A informação partiu dos organizadores do Festival de Berlim, que divulgaram os filmes da mostra competitiva oficial da 70ª edição do evento, que terá o júri presidido pelo ator britânico Jeremy Irons, de 72 anos. 

O filme da dupla de diretores é um drama de época que retrata três mulheres na passagem do século 19 para o 20. Reféns das memórias da fazenda da família, elas não conseguem acompanhar a modernização que acomete São Paulo no período. Dutra é autor de “As Boas Maneiras” e “Trabalhar Cansa”. Gotardo se notabilizou pela produção intimista em especial, “O que se move”, seu longa de estreia.

Em entrevista ao Jornal do Brasil, emocionado, declarou Dutra, um dos realizadores: “Estou extremamente feliz e emocionado, principalmente num ano com tantos brasileiros participando de mostras no festival”.

O programa da competição inclui 18 filmes de 18 países, com 16 estreias mundiais – no qual também se destacam "Le Sel des Larmes" (França/Suíça), de Philippe Garrel; "Days" (Taiwan), de Tsai Ming-Liang; "The Roads Not Taken" (UK), de Sally Potter; "Undine" (Alemanha/França), de Christian Petzold;  "Siberia" (Itália/Alemanha/México), de Abel Ferrara. Confira logo abaixo a relação dos 18 títulos que concorrerão na mostra principal.

O presente, sem ilusão

Ao fazer o anúncio, Carlo Chatrian, diretor artístico do festival, disse que os filmes da competição contam histórias íntimas e impressionantes, individuais e coletivas, que têm um efeito duradouro e ganham impacto na interação com o público.

“Se há predominância de tons sombrios, isso pode ser porque os filmes que selecionamos tendem a olhar para o presente sem ilusão. Não para causar medo, mas porque querem abrir nossos olhos. A confiança que o cinema deposita na humanidade é ininterrupta – tão ininterrupta que os vê como seus protagonistas”, comentou Chatrain.

“My Salinger Year”, do canadense Philippe Falardeau, dará partida em 20 de fevereiro ao festival, que vai até o dia 01 de março.

tropicos

"Luz nos trópicos", de Paula Gaitán, com cenas gravadas em Chapada dos Guimarâes e no Xingu, participa na Mostra Fórum

Veja abaixo os títulos anunciados da Competição e da Berlinale Special

Competição

"Berlin Alexanderplatz", de Burhan Qurbani – Alemanha / Holanda
"DAU. Natasha", de Ilya Khrzhanovskiy, Jekaterina Oertel – Alemanha / Ucrânia / UK / Federação Russa
"The Woman Who Ran", de Hong Sangsoo – República da Coréia
"Delete History", de Benoït Delépine, Gustave Kervem – França / Bélgica
"The Intruder", de Natalia Meta – Argentina / México
"Favolacce", de Damiano & Fabio D’Innocenso – Itália / Suiça
"First Cow", de Kelly Reichardt – EUA
"Irradiés", de Rithy Panh – França / Camboja
"Le Sel des Larmes", de Philippe Garrel – França / Suiça
"Never Rarely Sometimes Always", de Eliza Hittman – EUA
"Days", de Tsai Ming-Liang – Taiwan
"The Roads Not Taken", de Sally Potter – UK
"My Little Sister", de Stéphanie Chuat, Véronique Reymond – Suiça
"There is No Evil", de Mohammad Rasoulof – Alemanha / República Tcheca / Irã
"Siberia", de Abel Ferrara – Itália / Alemanha / México
"Todos os Mortos", de Caetano Gotardo, Marco Dutra – Brasil / França
"Undine", de Christian Petzold – Alemanha França
"Hidden Away", de Giorgio Diritti – Itália

Berlinale Special

Os filmes abaixo completam o programa já divulgado anteriormente, totalizando a participação de 19 países.

"Onward", de Dan Scanlon – EUA- animação
"Curveball", de Jahannes Naber – Alemanha
"Speer Goes to Hollywood", de Vanessa Lapa – Israel – documentário

nardjes

"Nardjes A" (Argélia/França), novo filme de Karim Aïnouz, cineasta brasileiro radicado em Berlim, será lançado

18 produções brasileiras, no total

Além de “Todos os Mortos”, na mostra oficial, o Brasil integra várias paralelas, totalizando 18 filmes em produções e coproduções.

Na Panorama
“Cidade Pássaro”, de Matias Mariani; “O Reflexo do Lago”, de Fernando Segtowick; “Vento Seco”, de Daniel Nolasco; e "Rã", de Julia Zakia e Ana Flávia Cavalcanti, que concorrerá na mostra de curta-metragem.

O cineasta brasileiro Karim Aïnouz, radicado em Berlim, apresentará seu novo filme "Nardjes A" (coprodução com Argélia e França).

Na Geração
“Meu nome é Bagdá”, de Caru Alves de Souza; “Alice Júnior”, de Gil Baroni; e “Irmã”, de Luciana Mazeto e Vinicius Lopes.

Na Fórum
“Luz nos Trópicos”, de Paula Gaitán; e “Vil, Má”, de Gustavo Vinagre.

Na Fórum Expanded
"Apiyemiyeki?", de Ana Vaz (produção com França / Holanda e Portugal); "(Outros) Fundamentos", de Aline Motta; "Jogos Dirigidos", de Jonathas de Andrade; "Vaga Carne", de Grace Passô e Ricardo Alves Jr.; e "Letter from a Guarani Woman in Search of Her Land Without Evil", de Patrícia Ferreira, que é considerada a representante mais ativa do cinema indígena brasileiro.

Produções conjuntas

Além de "Nardjes A.", o Brasil marca presença ainda nas coproduções: “ChicoVentana también Quisiera tener un Submarino”, de Alex Piperno, coprodução brasileira com Uruguai, Argentina, Holanda, Filipinas; "Los Conductos", de Camilo Restrepo (Brasil/Colômbia); "If You Hold a Stone (Encounters) (Colômbia Brasil); e "Un Crime Común" (Argentina/Brasil).


*Com texto de Myrna Silveira Brandão - JB Online

 


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