POESIA
Arthur Rimbaud


Eternidade


De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.


Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.


Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.


De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.


Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.


De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.


*Arthur Rimbaud, poeta francês (1854-1891)

Fonte: Tyrannus Melancholicus
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