Dom Aquino Corrêa


Rio Araguaia


Rio que rolas majestosamente,
Sobre diamantes, na itaipava hirsuta!
Não mais te abala, na selvagem luta,
Do bravo Ubirajara o grito horrente!

Não mais, à flor da lânguida corrente,
Por onde o boto espalma a cauda bruta,
Não mais o silvo do vapor se escuta,
Ondeando, além, na praia alvinitente!

Não mais! Não mais! Silêncio... a tarde finda,
E as onda beijam os destroços vagos
De velhas naus, numa elegia infinda...

Mas do teu fado nos castelos magos,
A Glória dorme, com dorme ainda
A pérola na concha dos teus lagos!



Dom Aquino Corrêa, poeta de Mato Grosso (1885-1926)

Fonte: Tyrannus Melancholicus
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