Lobivar de Matos


Banzé de Cuia


Negro tá com morrinha,
tá com o diabo no couro
e não provoca, não, cabra safado,
porque do contrario vai haver banzé de cuia,
forrobodó.


Em casa a negra velha tá fula de raiva,
já andou dando sopapos no marido,
espremendo os moleques
e xingando a vizinha,
que não lhe quer emprestar
um pires de farinha.


Não mexe com o negro, não, negrada.
Ele está acuado e não quer prosa, não.


Negro entra no boliche,
pede fiado um “mata-bicho”
e senta na calçada, cuspindo:


- Porcaria de vida...



Lobivar Matos, poeta de Mato Grosso (1915-1947)


Fonte: Tyrannus Melancholicus
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