VERSO
Ademar Adams


Frio, caqui, sabiá

Frio, um caqui, um sabiá...
Levaram-me hoje pra longe no tempo.
Pelo espaço a vagar...
E a saudade me traçou um esboço,
E eu voltei a ser moço,
E ser moço é sonhar.

Frio, caqui, sabiá...
Juventude que longe está,
No belo canto interrompido,
Do passarinho abatido,
Como um amor, por ali vivido,
Que nasceu e morreu por lá.

Frio, caqui, sabiá...
Lembranças daquela flor,
Lamentos daquela dor,
Só ouço um canto por cá.
O amor foi sublimado,
Da flor, o ramo murchado,
Valeu o aprendizado.

Que sopre o vento bem frio,
Que madure o fruto no estio,
Que renasçam os sabiás.
Na vida nada é em vão,
Nem as dores o são,
Mas e do amor, o que será?
Só frio, caqui, sabiá...

 

*Poema enviado pelo autor ao tyrannus, escrito no inverno de 2016

adams

Ademar München Adams é natural de Santo Ângelo, região missioneira do Rio Grande do Sul e mora em Mato Grosso desde 1978. Tem 68 anos de idade, jornalista e advogado, é servidor aposentado da Justiça do Trabalho. Por muito tempo escreveu sobre política e cotidiano para diversos jornais e sites de Mato Grosso. Publicou pela Editora Alcance de Porto Alegre seu primeiro livro de poesias, "Versejando", assim como organizou o livro de memórias do seu pai, "Memórias do Barão"

 


Fonte: Tyrannus Melancholicus
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