VERSO
António Poppe


plante ante núbio*  

 

plante ante núbio
vasos negros
coxa negra de plate
curva de colmo
uter cria
saliente em mergulho
pomo nono libe
líquen clítor clama clítor
fresta manada e bum bum bordas
só lábio
engoma o tamanduá  
engoma o tatu-canastra
claque de bunda em areia serpe
prima penetra
glânde
plange a baba
baba folga se ajuntara


em léguas de órgão de plate
sorvo és é mó
de djemi de djemi
de djemi de djemi


eu, convidado em carne,
sêmen ao sol
vala o coração,
yakoana sucção de ligâmen
órgão que vem à pele


dó borda
legue de rojo
oceano és no rôle
habit cru língua tribut
moisto assomo sorvo lóbulo
gema e ventre


mar ame lapa
água coda
fcome! à fundada sulma


de cabelo apanhado ao alto
céufogoágua


come-coral


uma língua, sem fundo e sem origem
molha o deserto e varre


no morro Deus grande deus
quando morre um deserto todos choram em mangueira


não queimarás na duna
a letra é de Seu deserto.
é de Seu Deserto a letra.

 


*Poema reproduzido do site http://revistamododeusar.blogspot.com/

divulgação

poppe

António Poppe nasceu em Lisboa e é nome expressivo da poesia portuguesa contemporânea. Estudou no Centro de Arte & Comunicação Visual (Portugal) e fez intercâmbios com o Royal College of Art, em Londres, e com a School of the Art Institute of Chicago. Considera-se um cidadão do mundo que se materializa através da escrita de livros, participação em recitais de poesia e no ensino do desenho e meditação. Entre os livros que publicou destacam-se "Livro da Luz" (Documenta, 2012) e "come coral" (Douda Correria, 2017)

 

 

 


Fonte: Tyrannus Melancholicus
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