CRÔNICA

Esses motoqueiros barulhentos. E babacas



mindinho

A resposta contundente de uma amiga para aqueles que estrondam o nosso cotidiano com a sonoridade agressiva

Sou aquele cara chato desde a adolescência. E foi nessa época que comecei a odiar que me tascassem como intelectual. Rotular é uma praga. Praga da qual venho me valendo como jornalista, ao escrever livremente sobre artistas. Gosto de dizer que não escrevo pra agradar seu ninguém, e só o faço já que foi esse o caminho mais saboroso que a vida me ofereceu. E acho que morreria de desgosto se não o fizesse.

Amadureci e continuei chato. E precisava desse registro pra confessar que é bom ser chato. Estar alinhado com gente que opina, doa a quem doer, uma vez que a vida não pode ser feita apenas de carneirinhos brancos que a gente conta quando vai dormir. Pois são as ovelhas negras que mais ajudam aqueles que estão perdidos, procurando se encontrar.

E vamos logo ao que interessa: ser chato é muito melhor do que ser babaca. E é sobre uma das mais flagrantes babaquices, que tenho visto em Cuiabá, o principal teor destas palavras que aplico agora no tyrannus.

Dedico o texto para todos aqueles que, acredito, jamais leram este site, e que transitam pelas ruas da cidade com suas motocicletas barulhentas em decibéis absurdos, incomodando toda a sorte de gente que é obrigada a conviver com isso. Francamente... que coisa mais estapafúrdia.

Minha Nossa Senhora do Livramento, terra de mamãe: o que será que esses motoqueiros machos (nunca vi uma mulher fazendo isso) têm na cabeça? Imagino que nem mesmo as coitadas das minhocas, esses animais anelideos que, pejorativamente, dizem habitar cacholas de povos de pouca inteligência, apreciam essa postura ruidosamente agressiva.

Sei lá... minhoca será que escuta? Será que têm "oreias"? Coitadas. Mas, pelo menos, quando estão oxigenando o ambiente subterrâneo, não devem ser submetidas a esse inferno sonoro que esses tais motociclistas propagam. 

Não consigo entender a razão pela qual esses pilotos de duas rodas cometem esse crime ambiental. E a busca desse entendimento é assunto vasculhado, não só por este redator, mas também por outras pessoas, acredito, que se sentem incomodados com essa agressão. Provavelmente o fazem para se mostrarem potentes e acobertar suas fraquezas particulares, não lhes bastando o intelecto para se destacar. Já que todos nós precisamos nos destacar de alguma maneira.

Tenho uma amiga, cujo nome prefiro não citar, que me sugeriu certa vez que há uma razão que se justifica na sexualidade. É dela esta mão de punho fechado que ilustra o texto, onde apenas o dedo mindinho está ereto. Em seu raciocínio, os motoqueiros barulhentos são homens com pênis minúsculos, ou com algum tipo de problema sexual, que tentam disfarçar essa característica através do ronco absurdo de suas máquinas. Não sei não, mas pode ser. 

Se alguém que ler este texto tiver alguma explicação, digamos, científica, para tal comportamento, que aqui se manifeste, jogando luz sobre o tema. 

E já vou tratando de finalizar esta conversa. Não quero fazer um barulho ensandecido e já disse o que queria. Só falta, agora, solicitar aos que me leem, que, se conhecerem algum motociclista doentio, gentilmente, solicitem que esse sujeito deixe de ser babaca e reveja seu comportamento inadequado. Que essa pessoa de raciocínio debilitado procure crescer e aparecer de outra forma, respeitando as normas de um convívio social decente.


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