LUCIENE CARVALHO

Um corpo negro, arteiro e fecundo



na pele

Livro já está sendo comercializado, confira em SERVIÇO, ao final da matéria

Em 2018 escrevi que a chegada de "Dona" (Carlini & Caniato), livro de poesias de Luciene Carvalho, teria sido um dos principais acontecimentos literários daquele ano feliz. E o livro teve seu lançamento com direito a uma brilhante performance cênica de Luciene.

Bem, a autora está com livro novo, "Na Pele", novamente com a mesma editora. A maré não está para lançamentos presenciais, então, ficamos sem o espetáculo vibrante que é Luciene declamando - dando vida aos seus versos. Infelizmente. Mas outras oportunidades virão. 

Só fico imaginando o que essa poetisa negra potente aprontaria se houvesse a possibilidade de ela encarnar sua poética. Conversei com ela há poucos dias, por telefone, e a percebi como nunca tinha visto, apesar dos cerca de 30 anos que a conheço. "Na Pele" bateu duro na poeta. Poeta é pouco pra Lu. Particularmente, considero-a uma entidade literária.

O livro já chegou e já pode ser adquirido, confira como ao final desta matéria. E para escrever isso aqui me alicercei em artigo acadêmico escrito por Maria Elizabete Nascimento de Oliveira¹ e Gilmar Leite Ferreira². Ao final da matéria publico a identificação de ambos. E já agradeço o envio do artigo para o tyrannus.

Sobre 'Na Pele', os autores do artigo registram que a leitura "nos leva aos porões dos navios negreiros, mostrando-nos à amplitude de um sentimento liberto, e que por caminhar pelas veredas da escravidão, faz o percurso de volta, mesmo estando no mesmo lugar, sofre como se vivesse outra vez, apresenta a perfuração das lanças que continuam a ferir sua pele e a negar o seu lugar". 

E acrescento alguns versos, também pinçados do artigo: “[..] Palavras não constroem/Amor próprio/O amor será subtítulo/Da dor exclamada/E dói cabelo, mãe/Dói os dentes/Que o tempo leva,/Dói as casas pequenas/De cohabs, favelas e grilos/Netas daquelas senzalas”.

O pequeno parágrafo do texto e os versos acima me fizeram entender melhor o que Luciene me disse por telefone. Ainda não tenho o livro, mas o que Elisabete e Gilmar escreveram, mais os versos que selecionaram, já vão me impregnando da obra e do estado de espírito de Luciene.

Não sou um leitor assíduo de artigos acadêmicos, mas, todas as vezes que me aventuro neles, sinto-me acrescentado de conhecimentos e ampliações que têm a ver com a literatura.

Em outro trecho do texto, "Na Pele (2020), mostra que no tecido primeiro da condição corpórea, a poesia metamorfoseia o seu ser que sai do silêncio para se anunciar que é na experiência da vida que se manifesta o pensar e o sentir de uma escritora que carrega no corpo uma história que reverbera inquietações pela palavra encarnada".

luiz marchetti

luciene

Luciene, poeta e amiga querida... saravá!

E o "Na Pele" da amiga poeta cria corpo e alimenta meu universo poético. “Não vai haver autoestima/Sem que antes se revele/O teatro do invisível/O cabelo com cacho,/O despacho.../Não vai resolver nada/ [...] Se a emoção ficar calada". 

A poesia que Luciene preparou neste ano de isolamento, tão difícil, tão doído, reflete sim a situação em que vivemos. Lembro-me de ela ter dito na recente conversa que vivenciou, com o livro, uma espécie de acerto de contas com a sua condição de negra. Talvez jamais seus versos tivessem tratado esse tema com tanta verdade: “[...] Essa gente negra/É pasto!/Pasto que alimenta/A máquina violenta/Deste meu país.” 

O artigo tem 14 páginas e será publicado na revista da UNEMAT brevemente. Recomendo a leitura desse belo trabalho e registro novamente, com prazer, os ótimos serviços que a comunidade acadêmica mato-grossense vem prestando no meio literário. 

Só mais um spoilerzinho: Severino Antonio, Miguel Almir de Araújo, Roland Barthes, Alfredo Bosi, Eduardo Galeano, José Miguel Wisniki, Maurice Merleau-Ponty e Rubem Alves são os autores citados no artigo "Na Pele (2020), de Luciene Carvalho: as pulsações poéticas de um corpo negro, arteiro e fecundo", que ajudaram Elizabete e Gilmar a jogar luz na obra mais recente de Luciene Carvalho. 

No mais... 

"A pele cobre o todo que lateja/O leite branco/Da preta que me pariu/Nutriu a melanina/Que em mim brotou”. 

OBS 1: o tyrannus se permitiu a não escrever nada sobre a biografia de Luciene neste texto. Com mais de dez anos na rede, posso afirmar que ela está entre os nomes mais  mencionados neste site, em se tratando de artistas de MT.

OBS 2: o artigo que embasou este texto ainda é inédito. Quem quiser recebê-lo de primeira mão é só ligar para o tyrannus (65 99626 9657) e solicitar o seu pdf, que estou autorizado a enviá-lo.  

SERVIÇO

O QUE: lançamento do livro de poesia "Na Pele", de Luciene Carvalho
QUANDO: já está disponível para aquisição
EDITORA: Carlini & Caniato Editorial
LINK PARA COMPRA: https://loja.tantatinta.com.br/produto/na-pele/
OU PELO TELEFONE: (65) 99635 3486

 

SOBRE OS AUTORES DO ARTIGO

1-Maria Elizabete Nascimento de Oliveira é professora da Rede Estadual de Educação Básica do Estado de Mato Grosso. Mestre em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso/UFMT. Doutora em Estudos Literários pela Universidade do Estado de Mato Grosso/UNEMAT.

2-Gilmar Leite Ferreira é poeta e professor da Universidade Federal da Paraíba/UFP. Mestre e doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Natal).

 

 

 


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