VERSO

Marin Sorescu

Revelação*

 

Hoje só fotografei árvores,
Dez, cem, mil.
Vou revelá-las à noite.
Quando a alma for câmara escura.
Depois vou classificá-las:
Segundo as folhas, os anéis dos troncos,
Segundo as suas sombras.
Ah, como as árvores
Entram facilmente umas nas outras!
Vejam, agora só me resta uma.
É esta que vou fotografar outra vez
E vou observar com assombro
Que se parece comigo.
Ontem só fotografei pedras.
E a pedra afinal
Parecia-se comigo.
Anteontem - cadeiras -
E a que resultou
Parecia-se comigo.

Todas as coisas se parecem terrivelmente
Comigo...

Tenho medo.

 

*Reproduzido de https://casadospoetas.blogs.sapo.pt/

sorescu

Marin Sorescu (1936-1996) foi poeta, dramaturgo, romancista e artista plástico romeno. Suas obras foram traduzidas para mais de 20 países, e o número total de seus livros publicados em outros países chega a 60 livros. Sobre sua poesia, disse Sorescu: "Assim como não posso deixar de fumar porque não fumo, não posso deixar de escrever porque não tenho talento". Ganhou diversos prêmios na Romênia e também em países como Itália, Espanha e Áustria (wikipedia)

 

 

 


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