VERSO

Sousândrade

Saudades no porvir* 

 

Eu vou com a noite
Pálida e fria
Na penedia
Me debruçar :
O promontório
De negro dorso,
Qual nau de corso
Se alonga ao mar.

Dormem as horas,
A flor somente
Respira e sente
Na solidão;
A flor das rochas,
Franzina e leve,
Ao sopro breve
Da viração.

Cantando o nauta
Desdobra as velas
Argênteas, belas
Asas do mar;
Branqueia a proa
Partindo as vagas,
Que n'outras plagas
Se vão quebrar.

Eu ponho os olhos
No firmamento:
Que isolamento,
Oh, minha irmã!
Apenas o astro
Que a luz duvida,
Promete a vida
Para amanhã.

Naquela nuvem
Te vejo morta;
Meu peito corta
Cruel sentir
Da lua o túmulo
Na onda ondula,
E o mar modula
Como um porvir..

 

*Reproduzido de http://www.antoniomiranda.com.br/

sousandrade

Joaquim de Sousa Andrade (1833 -1902), poeta maranhense que morreu abandonado e na miséria, considerado louco. Mais conhecido como Sousândrade, após ficar décadas esquecido, sua poesia foi resgatada nos anos 60 pelos irmãos poetas Augusto e Haroldo de Campos. Sousândrade formou-se em letras pela Sorbonne, em Paris, onde fez, ainda, o curso de Engenharia de Minas. Viveu um período nos EUA onde militou nas letras. Atualmente, apesar de ainda pouco conhecido, tem sua obra apontada como uma das mais originais e instigantes do Romantismo brasileiro, utilizando recursos expressivos, como a criação de neologismos e de metáforas vertiginosas


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