RESENHA

Deixa a gente numa sinuca de bico



coringa

 

Andei lendo que Joaquin Phoenix emagreceu 20 quilos pra encarnar com perfeccionismo "Joker". Não acompanho a vida particular dos artistas, mas devo dizer que ele deveria estar muito fofinho antes de ser e estar "Coringa". Quando a gente flagra elogios demasiados sobre um filme (eu sou assim), é melhor assistir logo. Né mesmo?

Aí você vai, assiste e gosta tanto, que se vê em dificuldades pra dizer algo. Algo a mais. Mas isso é pura retórica. "Coringa", não... não é retórica. É uma paulada na cabeça de quem assiste. Que coisa. Fiquei encurralado diante do filme. Vi-me forçado até a abrir uma exceção para aquela conversa (que acho furada) de 'mensagem do filme'. 

Dilemas contemporâneos que assombram a vidinha humana esparramam-se no filme de Todd Phillips, cineasta e roteirista estadunidense que afamado com "Se beber, não case" (Hangover), que fez tanto sucesso (bilheteria, principalmente), obrigando-o a desdobrar-se em mais dois episódios.

O que vemos em “Coringa” é uma produção mais lapidada em termos de criação. Faz jus ao cinema como sétima arte, extrapolando os aspectos meramente comerciais dessa manifestação que gosto de definir como “grande arte”, por agregar as outras artes em seu contexto. Assim como foi a ópera anteriormente. Aquela coisa que deixa o público extasiado.

No filme novo de Todd há uma expressiva e feliz combinação de música, artes visuais, texto e desempenho dramático. Joaquin Phoenix, na minha opinião (talvez precipitada), já venceu o Oscar de melhor ator. E também aposto em “Coringa” como um dos filmes que vai colecionar estatuetas nesse certame.

A performance de Phoenix é inquestionável e tem mais uma coisa que tá pegando nessa minha aposta. Nunca fui fã ardoroso do Oscar, entre outras coisas, pelo bairrismo estadunidense embutido nele, e também por uma certa previsibilidade (ser previsível é ruim, é spoiler arrevesado). E a estatueta americana na categoria melhor ator, historicamente, costuma privilegiar artistas que, para encarnar seus personagens, se submeteram à transformações físicas baseadas em sacrifícios na vida real.

Em 2004 Charlize Theron teve que ficar feia e engordar 14 quilos pra protagonizar “Monster – Desejo Assassino” (levou o Oscar); em 2010 Christian Bale perdeu 20 quilos para encarnar o personagem principal de “O Vencedor” (nhapou a estatueta) e Matthew McConaughey ficou quase cadavérico, com 20 quilos a menos, para o papel central de “Clube de Compras Dallas”, em 2014. Levou o Oscar. Isso, sem falar que Robert De Niro, também venceu o Oscar após engordar 20 quilos pra fazer um pugilista em “Touro Indomável” (1980).    

Daí, que praticamente não restam dúvidas sobre a futura premiação de Joaquin Phoenix. 

Esta resenha foi escrita por partes. Uma conversa que tive na sexta-feira sobre “Coringa” com uma amiga deu a deixa para chegar logo ao final desta conversação. O que é certo e o que é errado neste mundo contemporâneo. O personagem de Phoenix, brilhantemente construído e interpretado, está muito longe de ser um herói, mas também não chega a ser o oposto disso. Deixa-nos no limbo entre questões éticas e morais predominantes nestes tempos. 

“Coringa” é um filme maravilhoso. Estão em cena o politicamente correto e a permissividade, coisas impactantes, em torno das quais, todos devemos refletir. Pensar faz bem. Dormir com um barulho desse tamanho é o X do problema.  

coringa

 

 


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1 Comentrio(s).
É isso!
enviada por: Luiz Renato de Souza Pinto    Data: 14/10/2019 06:06:20

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