POESIA

Irene Rezende

Minha infância foi quebrada*

 

era sempre:
apanhar uma surra
ou cair um tombo;

para cada machucado minha mãe adiantava:
- vai sair as tripas!

O susto de um instante,
colava pra sempre na minha alma;

Uma tristeza se alinhava ao meu lado
como se fosse a aparição de um fantasma;

O peito
tão apertado não cabiam duas ideias

O boiadeiro tinha 20 passos de largura 
e o luar sobre ele

De braços cruzados com o tempo
eu contemplava o melhor do arco-íris
enquanto colava pétalas vermelhas nas unhas
pra fingir que já era moça feita

Tinha direitos mais largos 
e paixões mais lentas

pena é que:

“Águas passadas não afogam ninguém”

 

*Poema enviado pela autora, atendendo solicitação do tyrannus

 

Irene Severina Rezende, poeta brasileira

 


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