SESSÃO ALTERNATIVA

Ciclo "Kléber Mendonça Filho"



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A atriz Maeve Jinkings encarnando com rigor uma valorosa personagem entre as histórias paralelas do filme

"O que emerge é um retrato sutil de uma sociedade em momento de rápida transformação social, mas ainda assombrada pelas crueldades de um passado feudal". Trecho da avaliação do estadunidense Anthony Oliver Scott, crítico chefe do New York Times, em 2012, sobre sobre filme brasileiro que já havia conquistado, até então, diversas premiações internacionais.

A produção brazuca, na oportunidade, figurou, segundo o prestigioso jornal, entre os dez melhores filmes do mundo em 2012. Uma façanha...

"O som ao redor", do pernambucano Kléber Mendonça Filho, ganha exibição na terça (8), às 19h30, no Cine Teatro, através de ciclo que evidencia a cinematografia do cineasta. A classificação é para maiores de 18 anos e os ingressos estão a dois e quatro reais.

Por acaso, em 2012, estive no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, à convite da organização do evento. Conversando com saudoso amigo e crítico de cinema, Cid Nader, no festival, ele disparou, na lata: "É o melhor filme do mundo". E me convenceu a assistir uma exibição (fora de competição) de "O som ao redor". Ao término da sessão achei-me surpreso e embasbacado com o que vi.

De lá pra cá já revi o filme - e trechos dele - inúmeras vezes, pela televisão. Sempre que está passando em algum canal, não resisto a dar uma olhadinha e revejo a coisa. Considero especialmente a narrativa original do diretor e, apesar de buscar sempre um olhar crítico e vasculhador de possíveis deslizes na carpintaria cinematográfica, jamais consegui encontrar algo que me levasse a crer que o filme não é perfeito.

Claro que nem todo mundo concorda comigo. Até porque, "O som ao redor" não chega a ser aquele filme repleto de cenas impactantes e que abalam a plateia. Eu diria que ele (o filme)vai comendo a gente pelas beiradas, através da consistência de seu roteiro e da força dos seus personagens, overdosados de verossimilhanças.

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Os atores Waldemar José Solha, Irma Brown e Gustavo Jahn dando conta do recado no filme de Kléber Mendonça

Até mesmo (ATENÇÃO... SPOILERS) quando uma cachoeira tem suas águas revertidas para o sangue, ou quando uma invasão domiciliar flerta com o realismo mágico, o filme segue com sua narrativa segura a destrinchar um drama com pitadas de suspense, a refletir a dura realidade brasileira destes tempos contemporâneos.  

E assim sendo e nada mais tendo a declarar para o momento, com enorme prazer, convoco a todos quantos lerem estas linhas a conferir essa barulheira toda que reverbera pelos quatro cantos do Brasil e que foi retratada com precisão e arte em "O som ao redor". 

Resta dizer que a exibição do filme acontece através de uma parceria envolvendo o Cineclube Coxiponés e o Cine Teatro. O Ciclo Kléber Mendonça Filho prosseque nas próximas terças-feiras (15 e 22/10), quando entrarão em cartaz os outros filmes mais recentes do cineasta: "Aquarius" (Brasil/França - 2016) e "Bacurau" (Brasil - 2019).

 


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